boletim

o meio é a massagem

Flor da Palavra da Vila Pescoço começa dia 5/7 no médio Solimões

Começa neste sábado, dia 5 de julho de 2008, no Bairro Nossa Senhora de Fátima (Vila Pescoço) de Tefé (AM) a sua Flor da Palavra. Haverá oficina de rádio, com os equipamentos disponíveis para a comunicação livre da comunidade e visitantes através da freqüência 106,7FM - o bairro dará o nome à rádio nesta ação da Xibé. Em seguida vem o pronunciamento do presidente da associação do bairro, Sr. Sátiro, seguido da apresentação dos trabalhos de iniciação científica da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) de Fabriciana Moraes, Alex Coelho e Pedro Paula, respectivamente sobre os jovens da Vila Pescoço, sobre a Rádio Comunitária Nova Geração da comunidade Porto Braga na Reserva Mamirauá e sobre o Centro de Mídia Independente de Tefé (CMI-Tefé). Será lançada a nova Cooperativa de Artesanato iniciada pela Fabriciana e algumas jovens e senhoras do Bairro, e que já em seus primeiros dias de atividade está catalisando a aprendizagem colaborativa a partir dos saberes tradicionais. Finalmente serão apresentadas as danças do Cacetinho, As Moreninhas, Boi Corajoso e grupo Explosão do Funk. Nas noites do dia 8 a 10 de julho, no prédio anexo da UEA, a Flor terá continuidade através do mini-curso “Software Livre numa perspectiva crítica”, por Fernão Lima do CMI-SP.

A “Vila Pescoço” é o bairro com pior fama em Tefé. De origem recente (cerca de 20 anos), com grande parte das famílias vindas da zona rural, possui semelhanças com as comunidades rurais, tais como o cultivo de roças e a realização de mutirões. É um dos bairros onde mais se cultiva a solidariedade entre vizinhos. Para os padrões urbanos capitalistas é “pobre”, possui problemas de violência, e saneamento: vários bairros despejam os seus esgotos na Vila. É discriminado na cidade, e seus jovens são estigmatizados como “galerosos” (”criminosos”). Não conseguem empregos e são mal aceitos nas nas escolas. Diante de tantos problemas, alguns desses jovens formam grupos que buscam a solução no álcool e nas drogas, e algumas moças vendem o próprio corpo. Esta Flor da Palavra visa contribuir para a invenção de laços de comunicação e solidariedade entre os moradores do bairro, a universidade, movimentos sociais (CMI-Tefé em particular), e moradores de fora do bairro e do mundo. A organização é colaborativa, então qualquer outra iniciativa que se some a esta programação preliminar será bem vinda.

Mais informações em -> http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2008/07/423575.shtml

Justiça para os Terena

REDE GRUMIN DE MULHERES INDÍGENAS

Vamos exercer nossa cidadania! Assine a petição: Justiça para os Terena
Aos dias dezessete do mês de junho do ano de dois mil e oito, às 05:30
horas da manhã, chegaram os policiais da Policia Estadual e da ROTAI em um
ônibus lotado desses policiais.

Haviam: crianças, mulheres, gestantes, idosos que ali estavam dormindo. Os
policiais chegaram e quando estavam conversando com todas as pessoas ali
presentes na retomada, um policial bruto puxou uma taquara na mão da anciã
Julia Meira Faustino de 54 anos de idade derrubando-a imediatamente no
chão. Nós fomos proteger nossa anciã e começamos a apanhar de todos os
policiais ali presentes.

Os policiais começaram arrebentando todas as barracas, colocando fogo em
tudo que ali estava.

Empurraram mulheres, crianças e idosos, puxaram cabelos de mulheres e
pisaram e chutaram as roupas dos indígenas.

Clique seguramente no link, veja mais sobre este absurdo e assine essa
petição:

http://www.petitiononline.com:80/grumin12/petition.html

Rede GRUMIN de Mulheres Indígenas
Eliane Potiguara
Escritora Indígena - Ativista
Membro Acadêmico do Projeto Cultural ABRALI

Os abraçadores de árvores

Com tanto desmatamento, destruição dos vários biomas terrestres brasileiros, como a Floresta Amazônica, o Cerrado, a Mata Atlântica, a Caatinga… no geral, não há efetivamente um movimento no Brasil como os “abraçadores de árvores”? Será que está em extinção por essas bandas os ecologistas de ação direta? O ecologismo politicamente correto, oficialista, dos tribunais “públicos”, domesticou a radicalidade? Talvez eu esteja dando voltas sobre o mesmo assunto. É que as coisas não mudam… Mas…

Um pouco de história para inspirar…

Os abraçadores de árvores é um dos mais notáveis e originais exemplos de ação direta. Já nos anos 20, na Califórnia, nos EUA, surgiu um grupo de mulheres, as ladies conservationists (senhoras conservacionistas), que se acorrentava nas árvores para impedir a ação dos madeireiros.

Mas foi a partir do movimento Chipko nos anos 70, quando as mulheres das aldeias himalaias do norte da Índia decidiram abraçar-se às árvores para impedir a ação das madeireiras que o movimento ganhou força. Estimulados por vários grupos ambientalistas internacionais, o movimento conseguiu um certo sucesso e bastante impacto junto à mídia.

O acontecimento deu origem a outros movimentos de “abraçadores de árvores” (tree-huggers) ao redor do mundo. No fim
da década de 80, na Austrália, um grupo, de pessoas subiu nas árvores para defender a última floresta de eucaliptos nativos do mundo, ali ficando por vários dias. Com a ajuda do efeito de suas ações na imprensa, os abraçadores conseguiram rescindir o contrato do governo australiano com as madeireiras japonesas.

Nos anos 90, na Inglaterra, surgiram os tree-sitters, ou dongas, com outra estratégia: se algemar nas árvores, se acorrentar nas pedras ou acampar na região a ser atingida, para impedir a construção de anéis rodoviários que atravessariam áreas de proteção especial.

Os acampamentos dos sitters (numa tradução livre, “os pregados no chão”) duraram vários anos, provocando uma reação violenta das autoridades inglesas, que acabaram expulsando-os na força. Em 1997, um caso que repercutiu muito na imprensa internacional foi o da estadunidense Julia Borboleta Hill, que passou dois anos vivendo em cima de uma árvore à qual deu o nome de Luna, numa tentativa de frustrar os planos da madeireira Pacific Lumber de destruir uma floresta de sequóias da Califórnia.

Outro fato recente que ganhou espaço na mídia, em 2006, envolveu a cantora Joan Baez, que juntamente com Julia, subiram no topo de uma árvore em uma tentativa de evitar a demolição de um horto comunitário de 14 acres com frutas e vegetais no
sul de Los Angeles.

Hoje, este tipo de ação direta continua à mil em várias partes do mundo. Entre no site da Earth First! (www.earthfirst.org)
que terás muitas notícias atualizadas.

Moésio Rebouças // Fonte: Terra (para a lista CMI-Brasil)

Via Campesina e urbanos realizam mobilização no Walmart e Carrefour no ES

Cerca de 300 integrantes da Via Campesina e de movimentos urbanos, como a
Intersindical, Coordenação dos Movimentos Sociais, Passe Livre e movimento
estudantil realizaram uma mobilização, na tarde de hoje (10/06), em frente
às redes estrangeiras de supermercado, Walmart e Carrefour. A atividade
ocorreu na capital do estado, Vitória, e faz parte da Jornada de Lutas da
Via Campesina.

A atividade iniciou-se com uma caminhada pela cidade, acompanhada de um
panelaço, e foi marcada por um protesto em frente a essas duas redes de
supermercado, que detêm o controle do comércio mundial de alimentos, desde o
preço até os fornecedores. Em frente ao Walmart, foi montada uma mesa com
alimentos da agricultura camponesa, a fim de demonstrar que essa é a
alternativa para conter a grande alta no preço dos alimentos.

O ato questionava justamente a alta no preço dos alimentos e o controle das
empresas estrangeiras no território brasileiro.

Na parte da manhã, uma mobilização no município de Montanha, norte do ES,
marcou o protesto da Via Campesina em relação à expansão da cana-de-açúcar
no estado.

*Por que estamos mobilizados *
*Queremos produzir alimentos*
***Contra o agronegócio e em defesa da agricultura camponesa*

O atual modelo econômico, baseado no agronegócio e no capital financeiro,
quer transformar os alimentos, as sementes e todos os recursos naturais em
mercadoria para atender os interesses, o lucro e a ganância das grandes
empresas transnacionais.

Para isso, esses grupos econômicos se apropriam de terra, águas, minerais e
biodiversidade, privatizando o que é de todos. Além disso, desmatam as
florestas e deterioram os solos com a monocultura. Também aumentam a
exploração dos trabalhadores, precarizam, retiram e desrespeitam os direitos
trabalhistas, causam desemprego, pobreza e violência.

Dessa forma, o agronegócio promove a concentração da riqueza nas mãos dos
mais ricos, especialmente banqueiros e empresas transnacionais, enquanto
aumenta a desigualdade e a pobreza da população. É necessário e urgente
combater essa lógica opressora e destrutiva, que apresentamos nos seguintes
pontos:

*I - Denunciamos*

Denunciamos o atual modelo agrícola por que:

1. Favorece os interesses das empresas transnacionais, que compõem aliança
com os latifundiários para controlar a nossa agricultura e obter grandes
lucros na produção e comercializaçã o dos alimentos e na venda das sementes
e insumos agrícolas.

2. Prioriza o monocultivo em grandes extensões de terras, que afeta o meio
ambiente, deteriora os solos e exigem o uso grandes quantidades venenos.

3. Estimula a monocultura de eucalipto e pínus, que destroem a
biodiversidade, causam poluição ambiental, geram desemprego e promovem a
desagregação social das comunidades camponesas, indígenas e quilombolas.

4. Incentiva a produção de etanol para exportação, promovendo a ampliação do
plantio da monocultura da cana-de-açúcar e, conseqüentemente, causando a
elevação dos preços dos alimentos e a concentração da propriedade da terra
por empresas estrangeiras.

5. Difunde o uso das sementes transgênicas, que destroem a biodiversidade,
eliminam as nossas sementes nativas, podem causar danos à saúde dos
camponeses e consumidores de alimentos e transfere para as transnacionais o
controle político e econômico das sementes.

6. Promove o desmatamento dos nossos biomas, de modo especial da floresta
amazônica e do cerrado, e a destruição dos babaçuais, através da expansão da
pecuária, soja, eucalipto e cana, juntamente como a exportação de madeiras e
minérios.

*II- Somos contra*

As transnacionais, os latifundiários e um grupo de políticos, partidos e
parlamentares que defendem interesses econômicos e querem aprovar projetos
que vão piorar ainda mais esse quadro e, por isso:

1. Somos contra a lei de concessão das florestas públicas, que significa a
privatização da biodiversidade, e o projeto de lei nº 6.424/05, que reduz a
área da reserva legal da Amazônia de 80% para 50%, de autoria do senador
Flexa Ribeiro (PSDB-PA).

2. Somos contra a Medida Provisória nº 422/08, que legaliza áreas de até
1500 hectares, invadidas por latifundiários na Amazônia, quando a
Constituição determina apenas até 50 hectares.

3. Somos contra a Medida Provisória que desobriga o registro em carteira até
três meses de trabalho. Condenamos a existência impunemente do trabalho
escravo, da exploração do trabalho infantil e da falta de garantia aos
direitos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores rurais.

4. Somos contra o Projeto de Emenda Constitucional nº 49/06, que propõe
diminuir a extensão da faixa de fronteiras para beneficiar empresas
transnacionais e grupos econômicos internacionais, de autoria do senador
Sérgio Zambiasi (PTB-RS) .

5. Somos contra o projeto de transposição do Rio São Francisco, que visa
apenas beneficiar o hidronegócio e a produção para exportação e não atende
as necessidades das populações que vivem na região do semi-árido nordestino.

6. Somos contra a privatização das águas, que passam a se monopolizadas por
empresas transnacionais como Nestlé, Coca-Cola e Suez.

7. Somos contra o atual modelo energético, baseado na construção de grandes
hidrelétricas - principalmente na Amazônia -, que entrega o controle da
energia às grandes corporações multinacionais e favorece as grandes empresas
que mais consomem energia.

*III - Defendemos
*
Estamos mobilizados e vamos lutar para mudar essa realidade. Por isso,
queremos:

1. Construir um novo modelo agrícola, baseado na agricultura camponesa, na
Reforma Agrária, na distribuição de renda e fixação das pessoas no meio
rural.

2. Combater a concentração da propriedade da terra e de recursos naturais,
fazendo uma ampla distribuição dos latifúndios, com a definição de um
tamanho máximo para a propriedade da terra.

3. Garantir que a agricultura nacional seja controlada pelo povo brasileiro,
assegurando a produção de alimentos, como uma questão de soberania popular e
nacional, incentivando as agroindústrias cooperativadas e o cultivo de
alimentos sadios.

4. Diversificar a produção agrícola, na forma de policulturas, respeitando o
meio ambiente e usando técnicas de produção da agroecologia.

5. Preservar o meio ambiente, a biodiversidade e todas as fontes de água,
com atenção especial ao Aqüífero Guarani, combatendo as causas do
aquecimento global.

6. Desmatamento zero na Amazônia e nos demais biomas brasileiros,
preservando a riquezas naturais e usando os recursos naturais de forma
adequada e sustentável, em favor do povo. Defendemos o direito coletivo da
exploração dos babaçuais.

7. Preservar, difundir, multiplicar e melhorar as sementes nativas, dos
diferentes biomas, para garantir o seu acesso a todos os agricultores.

8. Lutar pela aprovação imediata da lei que determina expropriação de todas
as propriedades com trabalho escravo e a instituição de pesadas multas aos
latifundiários que não cumprem as leis trabalhistas e previdenciárias.

9. Exigir a implementação da política proposta pela Agência Nacional de
Águas, que prevê obras e investimentos em cada município do semi-árido,
necessárias para resolver o problema de água da população da região.

10. Impedir que a água se transforme em mercadoria e garantir seu
gerenciamento como um bem público, acessível a toda a população.

11. Assegurar um novo modelo energético que garanta a soberania energética,
que priorize o desenvolvimento de todos, utilizando o uso racional da
energia hidráulica em pequenas usinas, com a produção de agrodiesel e álcool
pelos pequenos agricultores e suas cooperativas.

12. O governo federal deve autorizar o Incra (Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária) a retomar a regularização, com maior
celeridade, de todas as áreas pertencentes aos quilombolas.

13. Promover a demarcação imediata de todas as áreas indígenas e expulsão de
todos os fazendeiros invasores, em especial da Raposa Serra do Sol e das
áreas dos guarani no Mato Grosso do Sul.

O governo Lula precisa honrar os compromissos assumidos para a realização da
Reforma Agrária, cumprindo seu programa político, assinado em julho de 2002,
assentando imediatamente todas as famílias acampadas e construindo no mínimo
100 mil casas por ano no campo para evitar o êxodo rural. A nossa luta é
pela construção de uma sociedade justa, com igualdade e democracia, onde a
riqueza é repartida com todos e todas.

*VIA CAMPESINA**
ASSEMBLÉIA POPULAR*
—————————- Original Message —————————-
Subject: Via Campesina e urbanos realizam mobilização no Walmart e
Carrefour no ES
To:CMI-Brasil

Dorkbot-RJ Zero - Desconstruindo 68′

Primeira edição do Dorkbot - pessoas fazendo coisas estranhas com tecnologia - no Rio de Janeiro, Brasil. A Performance foi feita por Bruno Tarin, Djahjah, Frado e Kruno, no Circo Voador em 25/05/08. O áudio foi gerado a partir de microfones de contato conectados ao carro e depois processado. As projeções foram feitas com o software PureData, são representações gráficas do áudio gerado durante a performance.

Veja o vídeo aqui:

>> http://betamultimidia.com/dorkbot-rj-zero-desconstruindo-68/
>> http://www.vimeo.com/1100663

Mais sobre o dorkbot http://dorkbot.org

ato pelos 60 anos da nakba palestina

Diga não você também Vagner, diga não às drogas!!!

Como é de conhecimento de muitos da comunidade de Software Livre do Brasil,
o governandor da Bahia , Jaques Wagner, assinou um protocolo de intenções
com a Microsoft. De acordo com o Diario Oficial, esse protocolo visa a
fomentação de cursos de inglês do programa “English for all” e também a instalação de
telecentros com licenças que poderiam ser doadas ou vendidas por “baixo”
custo.

Atentem para o fato do protocolo não ter sido divulgado em momento algum e
que não foi dado nenhum detalhe de como esses projetos irão ser implantados.

Uma coisa é fato, o dinheiro publico será usado para implantar algo que já
existe no estado. O projeto Berimbau Livre que customizou a distribuição
Debian BR CDD (Atual BrDesktop) para que então tivessem como resultado
o Berimbau Linux que é utilizado amplamente nos telecentros de inúmeros
municipios da Bahia.

A comunidade de Software Livre da Bahia está se manifestando contra a esse
tipo de ação e irá cobrar respostas do nosso governador sobre o acontecido.

Nesse link está sendo tratado as informações sobre a reação do PSL-BA contra
esse ato. E foi lançado a campanha “Vagner, diga não às drogas!” para que
sirva de alerta para o nosso governador não afunde anos de trabalho dos
projetos de Software Livre da Bahia criando uma dependência desnecessária
na nossa infraestrutura.

Ao pessoal da comunidade Software Livre de todo Brasil eu solicito ajuda
para que essa campanha seja divulgada nacionalmente.

http://twiki.dcc.ufba.br/bin/view/PSL/WagnerDigaNaoAsDrogas

Diga não você também Vagner, diga não às drogas!!!

Vagner, diga não às drogas!

Colaboração: Rafael Gomes

A natureza não é muda

Nada há de estranho, nem de anormal, o projeto que quer incorporar os
direitos da natureza à nova Constituição do Equador

O mundo pinta naturezas mortas, sucumbem os bosques naturais, derretem os pólos, o
ar torna-se irrespirável e a água imprestável, plastificam-se as flores e a comida,
e o céu e a terra ficam completamente loucos.

E, enquanto tudo isto acontece, um país latino-americano, o Equador, está
discutindo uma nova Constituição. E nessa Constituição abre-se a possibilidade de
reconhecer, pela primeira vez na história universal, os direitos da natureza.

A natureza tem muito a dizer, e já vai sendo hora de que nós, seus filhos, paremos
de nos fingir de surdos. E talvez até Deus escute o chamado que soa saindo deste
país andino, e acrescente o décimo primeiro mandamento, que ele esqueceu nas
instruções que nos deu lá do monte Sinai: “Amarás a natureza, da qual fazes parte”.

Um objeto que quer ser sujeito
Durante milhares de anos, quase todo o mundo teve direito de não ter direitos.

Nos fatos, não são poucos os que continuam sem direitos, mas pelo menos se
reconhece, agora, o direito a tê-los; e isso é bastante mais do que um gesto de
caridade dos senhores do mundo para consolo dos seus servos.

E a natureza? De certo modo, pode-se dizer que os direitos humanos abrangem a
natureza, porque ela não é um cartão postal para ser olhado desde fora; mas bem
sabe a natureza que até as melhores leis humanas tratam-na como objeto de
propriedade, e nunca como sujeito de direito.

Reduzida a uma mera fonte de recursos naturais e bons negócios, ela pode ser
legalmente maltratada, e até exterminada, sem que suas queixas sejam escutadas e
sem que as normas jurídicas impeçam a impunidade dos criminosos. No máximo, no
melhor dos casos, são as vítimas humanas que podem exigir uma indenização mais ou
menos simbólica, e isso sempre depois que o mal já foi feito, mas as leis não
evitam nem detêm os atentados contra a terra, a água ou o ar.

Parece estranho, não é? Isto de que a natureza tenha direitos… Uma loucura. Como
se a natureza fosse pessoa! Em compensação, parece muito normal que as grandes
empresas dos Estados Unidos desfrutem de direitos humanos. Em 1886, a Suprema Corte
dos Estados Unidos, modelo da justiça universal, estendeu os direitos humanos às
corporações privadas. A lei reconheceu para elas os mesmos direitos das pessoas:
direito à vida, à livre expressão, à privacidade e a todo o resto, como se as
empresas respirassem. Mais de 120 anos já se passaram e assim continua sendo.
Ninguém fica estranhado com isso.

Gritos e sussurros
Nada há de estranho, nem de anormal, o projeto que quer incorporar os direitos da
natureza à nova Constituição do Equador.

Este país sofreu numerosas devastações ao longo da sua história. Para citar apenas
um exemplo, durante mais de um quarto de século, até 1992, a empresa petroleira
Texaco vomitou impunemente 18 bilhões de galões de veneno sobre terras, rios e
pessoas. Uma vez cumprida esta obra de beneficência na Amazônia equatoriana, a
empresa nascida no Texas celebrou seu casamento com a Standard Oil. Nessa época, a
Standard Oil, de Rockefeller, havia passado a se chamar Chevron e era dirigida por
Condoleezza Rice. Depois, um oleoduto transportou Condoleezza até a Casa Branca,
enquanto a família Chevron-Texaco continuava contaminando o mundo.

Mas as feridas abertas no corpo do Equador pela Texaco e outras empresas não são a
única fonte de inspiração desta grande novidade jurídica que se tenta levar
adiante. Além disso, e não é o menos importante, a reivindicação da natureza faz
parte de um processo de recuperação das mais antigas tradições do Equador e de toda
a América. Visa a que o Estado reconheça e garanta o direito de manter e regenerar
os ciclos vitais naturais, e não é por acaso que a Assembléia Constituinte começou
por identificar seus objetivos de renascimento nacional com o ideal de vida do
sumak kausai. Isso significa, em língua quechua, vida harmoniosa: harmonia entre
nós e harmonia com a natureza, que nos gera, nos alimenta e nos abriga e que tem
vida própria, e valores próprios, para além de nós.

Essas tradições continuam miraculosamente vivas, apesar da pesada herança do
racismo, que no Equador, como em toda a América, continua mutilando a realidade e a
memória. E não são patrimônio apenas da sua numerosa população indígena, que soube
perpetuá-las ao longo de cinco séculos de proibição e desprezo. Pertencem a todo o
país, e ao mundo inteiro, estas vozes do passado que ajudam a adivinhar outro
futuro possível.

Desde que a espada e a cruz desembarcaram em terras americanas, a conquista
européia castigou a adoração da natureza, que era pecado de idolatria, com penas de
açoite, forca ou fogo. A comunhão entre a natureza e o povo, costume pagão, foi
abolida em nome de Deus e depois em nome da civilização. Em toda a América, e no
mundo, continuamos pagando as conseqüências desse divorcio obrigatório.

Eduardo Galeano é escritor uruguaio, autor de “A Escola do Mundo ao Avesso”

Publicado originalmente no semanário Brecha, do Uruguai.

jpereira / Contribuidores: Eduardo Galeano

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/a-natureza-nao-e-muda

Ó São Jorge, meu Santo Guerreiro

Invencível na fé nas Mídias Livres,
Protetor de todos os mídia-ativistas da Terra,
Abra nosso caminho para o melhor dos Fóruns possíveis.
Ajude a realização de políticas públicas
pela radicalização democrática das mídias,
com gestão pública da verba pública
para todos os veículos de comunicação e cultura!

Dê-nos acesso livre e gratuito a internet para sempre
e intervenha com todas suas armas
em favor da descriminalização das rádios livres
e contra a formação de dragões monopolistas.

Ore por nós, produtores de mídia livre
e multiplique nossos instrumentos tecnológicos,
para o compartilhamento de saberes,
como os downloads ou tags na internet
ou simplesmente o xerox na facudade.

Permita sua livre circulacão pela cidade,

real ou virtual, livre da perseguição dos “proprietários”.
Fortaleça nossos comunicadores
com formação autodidata ou universitária,
por professor-militante, sábios-griôs e rappers-guerreiros.

Ó São Jorge, nos dê uma força aí pra gente constituir esse comum!

Em 27/04/08,* Barbara Szaniecki* <dolar.rj@terra.com.br> escreveu:
>
> Pessoal,
>
>
> Estou lançando aqui uma precezinha. Podem antropofagizar, copiar, colar,
> modificar e depois de pronto vou mandar imprimir um milheiro pra ver se Sao
> Jorge nos atende! Mas se vcs nao gostarem do Sao Jorge podemos pensar em
> outro santo padroeiro, ou mesmo um orixá. Afinal de contas, todo mundo sabe
> que a multidão é multi-sincrética!

imobiliária de ocupações abre em londres

imobiliaria de ocupações

fonte:
indymedia uk

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